quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Moradores de Nogueira temem que aterro provoque mais inundações



Foto: Alexandre Carius

















Moradores de Nogueira estão promovendo um abaixo-assinado contra um aterro que está sendo realizado em um terreno na Avenida Leopoldina, onde está prevista a construção de um condomínio de alto luxo. Segundo eles, a construtora já colocou mais de 22 mil metros quadrados de terra no local, o que aumentou o nível do terreno em cerca de 3 metros. A área equivale a, aproximadamente, seis campos de futebol, e deve dar origem a 216 apartamentos. A preocupação dos moradores é porque o local é alvo constante de enchentes, já que fica próximo ao rio. Além disso, eles temem que a água fique represada e acabe atingindo os 800 moradores da Vila Epitácio, que fica em frente ao terreno. Em contrapartida, os empresários alegam que a obra tem as licenças exigidas por lei e que não oferece risco à população.
O presidente da União Distrital de Associações de Moradores de Petrópolis (Udam), Sérgio Mattos, afirmou que o receio é que os moradores sofram ainda mais as consequências das cheias no local. “Sabemos que a obra está legalizada, mas a consideramos imoral e por isso contratamos um advogado e um técnico que vai fazer um laudo sobre a situação do terreno e os riscos que o aterro pode trazer para a população”, disse. O abaixo-assinado on-line criado por ele no dia 29 tinha, até ontem, mais de 40 assinaturas. “O objetivo é recolher um grande número de assinaturas e encaminhar para a prefeitura, para que ela tome alguma atitude”, destacou ele, ressaltando que não está contra o empreendimento, mas sim contra o aterro. 
Acauã de Sabóia Ribeiro é morador de Nogueira e engenheiro florestal. Ele acredita que a construção vai prejudicar muito os moradores da região. “Essa é uma área muito grande, que não é propícia para esta atividade, pois está localizada na margem do Rio Piabanha. A água que escoava e ocupava o terreno vai acabar atingindo as casas. É uma obra muito impactante”, afirmou ele, declarando ainda que jamais compraria um apartamento no local. “Tanto lugar para construir e escolheram logo o leito do rio”, desabafou. 
Já um comerciante que mora próximo ao terreno há 38 anos e preferiu não se identificar contou que a água sempre entra na sua casa, mas que nunca perdeu nada com as enchentes. “Agora já não sei como vai ser, estou com medo das próximas chuvas”, lamentou. Ele revelou que a obra teve início há seis meses, quando as árvores foram cortadas. “Tinha mais de 100 árvores no local, inclusive centenárias. Primeiro desmataram e depois começaram o aterro. Mais de 200 caminhões de terra são despejados por dia na área”, disse.  José Geraldo Machado, de 58 anos, é representante do Grupo Nogueira e morador da região e está assustado com o aterro. “Me preocupo porque essa construção pode prejudicar os moradores, que são meus amigos e, acima de tudo, seres humanos”, comentou. 
Um dos incorporadores responsáveis pela empresa, Emilio Habibe, se defendeu dizendo que a obra está totalmente legalizada. “Ela tem aprovação dos órgãos municipais, estaduais e federais. Jamais começaríamos uma construção deste porte sem as autorizações necessárias”, declarou. Ele afirmou que a empresa fará o reflorestamento na área com a plantação de diversas espécies, inclusive Pau-brasil. “Já fizemos três reuniões com a associação de moradores. A última aconteceu na Câmara Municipal de Petrópolis, onde mostramos que a construção não será prejudicial. O problema das enchentes é uma questão geral da cidade e não da área em questão. O que temos que fazer é buscar uma solução para toda a extensão do rio, que está assoreado”, disse ele, salientando que já foi feito um pedido ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e à Companhia Municipal de Desenvolvimento de Petrópolis para que seja feita uma limpeza do rio. “Propomos à prefeitura uma Parceria Público Privada, para minimizar o problema”. Ele ressaltou, também, que a instalação do condomínio na região vai levar benefícios aos moradores, promovendo o desenvolvimento da área.
Consultada sobre a liberação da faixa marginal de proteção do Rio Piabanha, a Superintendência Regional do Inea afirmou que já esteve no local e que a obra está regular, respeitando as exigências do órgão, conforme prevê a legislação ambiental. A Coordenadoria de Fiscalização também informou que a obra está licenciada.
Aline Rickly
Redação Tribuna

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Detonações de rochas na subida da Serra: primeira interdição durou 12 minutos


Foto:Alexandre Carius


















Na manhã desta terça-feira (29), começou na Br-040 o processo de detonação de rochas, para a abertura do túnel que irá interligar os trechos dos quilômetros 87,5 e 79 da pista de descida da Serra de Petrópolis, no que irá compor em 2016 o trajeto da nova pista de subida da Serra.
Por volta das 10h, a Rodovia Federal foi interditada no trecho do km 87. A previsão da concessionária era de que a passagem de veículos fosse impedida durante uma hora. Mas, como a explosão controlada não trouxe resíduos para a pista, o trecho foi liberado logo após a detonação, sem causar engarrafamento.
Saiba como foi a explosão
No início da manhã, os operários e técnicos da Concer, concessionária que administra o trecho de concessão Rio de Janeiro – Petrópolis – Juiz de Fora, posicionaram cones a partir do km-87, preparando a rodovia para a interdição total, programada para as 10h. O trecho ficou em meia pista.
Uma sirene disparou comunicando que a passagem no trecho deveria ser interrompida. Depois de se certificar que nenhum veículo passaria mais pelo trecho, o presidente da concessionária, Pedro Jonsson, acionou o dispositivo que detonou a explosão. O forte estrondo abriu a pedra que impedia que as escavações começassem e derrubou ainda algumas árvores. No entanto, nenhum resíduo da explosão veio para a pista, como a própria concessionária acreditava que poderia acontecer. “A explosão foi um sucesso. Colocamos uma manta de proteção justamente para dissipá-la e funcionou muito bem, melhor do que tínhamos previsto. A expectativa era de que o trecho ficasse fechado por uma hora, para que limpássemos a rodovia”, afirmou.
Como não houve resíduos, o trecho foi liberado logo após os técnicos checarem o local onde as pedras foram detonadas. Trabalho que não durou mais do que doze minutos. Em seguida os carros foram liberados para trafegar no trecho, sem que houvesse tempo para a formação de engarrafamentos. 
Depois do processo de detonação de rochas, a Concer estima que serão escavados aproximadamente quatro metros diários, em ambos sentidos do túnel. “O grande problema é alcançar o espelho das rochas. Depois que isso acontece o ritmo de escavação é rápido. Nosso maior trabalho é o processo de detonação, mas as construções de contenções de encosta (30 ao todo) que deverão sustentar os trechos da na nova pista”, explica Pedro Jonsson, que afirma ainda que as obras, que tem prazo de conclusão para o dia 18 de junho de 2016, representam o início de um trabalho que deveria ter sido realizado há 20 anos, levando em consideração o tempo de uso da rodovia e o fluxo de veículos que ela recebe hoje. “Essa pista foi construída em 1928. A nova pista tem projeto com validade prevista até 2050”, disse Jonsson.
Vinícius Ferreira
Redação Tribuna

Alerj instala CPI para fiscalizar obras na serra

Foto: Divulgação
O aporte de mais de R$ 600 milhões do governo federal, sem licitação, para uma empresa particular executar a nova pista de subida da Serra, é um dos focos da Comissão Especial Parlamentar instalada nesta terça-feira (29.10) na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) para fiscalizar a obra. Presidida pelo deputado Bernardo Rossi (PMDB), a Comissão vai visitar as obras, inclusive os trechos onde as detonações de rochas começaram a ser realizadas nesta terça-feira.
Na primeira reunião da Comissão, os deputados deliberaram a requisição de documentos tanto da Concer, concessionária que administra a Rio-Petrópolis-Juiz de Fora, quanto dos órgãos públicos que autorizaram a execução da intervenção e que mantém a promessa de envio de verba para a nova pista de subida da Serra.
Estão sendo notificados a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Secretaria estadual do Ambiente, Ibama, Instituto Estadual do Ambiente, Ministério das Cidades e Ministério dos Transportes.
- A União assinala que vai dar R$ 700 milhões para a obra, já orçada em mais de R$ 1 bilhão. A empresa responsável pela obra é a Triunfo que mantém o controle acionário da Concer. E absolutamente irregular o dinheiro público ser usado em uma obra sem licitação", aponta Bernardo Rossi.
Outro ponto é o cronograma das obras que a própria Concer estipulou e que não está sendo seguido. As detonações para a  construção do túnel que seria a quarta etapa da obra foram iniciadas.  A primeira intervenção, a nova praça de pedágio em Caxias não foi concluída e as etapas 2 e 3 sequer começaram. "Enquanto isso, a ligação Bingen-Quitandinha, continua sendo a etapa final apesar de ser fundamental para a cidade. Ela poderia ser feita independente das obras estarem ou não prontas", sustenta Bernardo Rossi.
A Comissão é formada pelos deputados Luiz Paulo (PSDB), Dica (PMDB), Átila Nunes (PSL),  Marcelo Simão (PMDB), Geraldo Moreira (PTN), Bruno Corrêa (PDT), Xandrinho (PV), André Ceciliano ( PT) e Samuquinha (PR).
O resultado do trabalho da Comissão que além dos 120 dias
regulamentares poderá ser prorrogada por mais 90 será todo encaminhado ao Ministério Público Federal que já tem dois procedimentos abertos: um sobre a totalidade da obra e outro específico da questão ambiental.
- A obra é essencial, mas não queremos que a Concer, que só tem R$ 280 milhões para iniciar nova pista que ela mesma orçou em R$ 1 bilhão transforme toda a subida da Serra em um canteiro de obras e depois a conclusão da intervenção fique atrelada a uma prorrogação do contrato da concessionária que termina daqui a oito anos. Tememos pela viabilidade da obra, pela qualidade da nova pista, pelo aumento do pedágio", completa Bernardo Rossi.

Pedro do Rio: famílias ficam em áreas de risco




Foto: Aline Rickly






















Dois anos após a tragédia da Região Serrana em que centenas de casas foram destruídas e interditadas, duas famílias de Pedro do Rio, que tiveram suas residências condenadas, ainda não conseguiram o benefício do aluguel social. Durante todo esse período, elas cobram uma posição da Secretaria de Trabalho, Assistência Social e Cidadania (Setrac). Na semana passada, foram informadas de que não vão receber o benefício. Atualmente, 500 famílias petropolitanas recebem o benefício proveniente da parceria entre a prefeitura e o governo federal, 876 pela parceria com o governo do estado e 426 famílias recebem o benefício pago somente pela prefeitura.
Rejane Miranda Natalino, de 31 anos, mora com os dois filhos (um menino de nove anos e uma menina de 5 anos) e o marido, às margens da BR-040, na altura do Km 54. Em 2011, uma barreira caiu e atingiu um dos cômodos da casa, onde fica a cozinha. “Na ocasião, a Defesa Civil pediu para que procurássemos a casa de parentes ou amigos. Disseram que, se chovesse forte de novo, ia cair mais terra e poderia chegar até meu quarto”, relatou ela, destacando que o laudo da interdição só foi expedido um ano depois da queda da barreira, em 3 de janeiro de 2012. Segundo ela, a justificativa era que havia muitas ocorrências e não tinha como uma equipe comparecer ao local. 
Rejane contou que os filhos dormem no mesmo quarto que ela e o marido, pois é o cômodo mais distante da barreira. “Mas fomos alertados pela própria Defesa Civil que, se cair de novo, pode chegar até o quarto. Além disso, me chamaram atenção dizendo que o chão é de saibro e pode desmoronar a qualquer momento”, contou. Quando chove, a família inteira fica nervosa com receio de que algo pior aconteça. “Na madrugada de segunda-feira, quando ventou muito, não dormimos, porque ficamos com medo de vir um temporal e derrubar tudo”. Todos os meses, Rejane liga várias vezes para a Setrac, em busca de alguma novidade sobre o benefício. “Queremos ir morar em um local seguro, mas sem o aluguel social não temos condições”, afirmou ela, ressaltando que apenas o marido trabalha em casa, fazendo biscates em obras.  Além dessa questão, Rejane sofre também com os boatos de que a Concer vai desapropriar a área e tirar os moradores do local. “Por enquanto, só ouvi dizer, não recebi nenhuma notificação oficial”, revelou. 
Eliana Silva Ramos, de 29 anos, morava na Rua Eugênio Zanata, também em Pedro do Rio, quando uma pedra e uma barreira deslizaram e atingiram o quarto onde ela dormia com o filho, em dezembro de 2010. “Eu senti um tremor e meu marido gritou dizendo para eu correr. Peguei meu filho e fomos para casa da minha mãe, onde estamos até hoje. Em casa, não tem como ficar, porque há risco de acontecer outro deslizamento. Na chuva da semana passada, uma pedra rolou e atingiu a parede do meu banheiro”, contou. Eliana disse que um profissional da Setrac estava acompanhando todo o caso, desde o início, mas que ele não está mais na prefeitura e os atendentes não encontram o cadastro dela. “Quando ele trabalhava lá, sempre mostrava o lugar que estávamos na fila de espera no computador. Da última vez que pedi para ver, me disseram que não era possível. Sem contar as inúmeras vezes que me desloquei de casa, paguei passagem e quando cheguei no Centro de Cidadania em Itaipava afirmaram que o sistema estava fora do ar”, comentou.
Aline Rickly
Redação Tribuna

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Após cinco horas sem luz, moradores de Madame Machado bloqueiam BR-495 em manifestação

Foto: Reprodução
Problemas com a rede elétrica deixaram moradores de Madame Machado, em Itaipava, sem luz  durante a tarde de domingo. Irritadas com o problema, cerca de cem pessoas, em ato de manifestação, bloquearam por quase uma hora a Rodovia BR-495, que liga Petrópolis a Teresópolis. Os manifestantes incendiaram pneus no meio da rodovia. Uma equipe do 15º/2GBM combateu as chamas. O serviço de energia só foi restabelecido na região quando a Polícia Militar, que acompanhava a manifestação acionou a concessionária.
Segundo os moradores, por volta das 17h de domingo, um apagão deixou o bairro sem energia elétrica. Após cinco horas tentando acionar a Ampla (concessionária responsável pelo abastecimento de energia no município) e de ouvir que o problema só seria solucionado em 24 horas, os moradores caminharam pelas ruas do bairro, convocando várias pessoas até reunir um número aproximado de cem indivíduos, para protestar na rodovia Philuvio Cerqueira, a BR-495.
A via chegou foi interditada por volta das 22h, impedindo a passagem de motoristas nos dois sentidos. Um grupo de moradores colocou pneus como obstáculos e mais tarde atearam fogo. Um equipe do 15º/2 Grupamento do Corpo de Bombeiros (Itaipava) foi acionada para conter as chamas. A Polícia Militar também esteve na região para evitar qualquer conflito. Segundo informações da Polícia e do Corpo de Bombeiros a manifestação seguiu pacífica, sem qualquer confronto com as autoridades. 
Segundo José Quintela, da Associação de Moradores do Vale do Cuiabá, foi a própria Polícia Militar quem acionou a concessionária, que veio a restabelecer o serviço por volta das 23h. “Infelizmente foi necessário um protesto para prestarem o serviço, caso contrário teriam deixado a comunidade sem energia até o dia seguinte”, afirma o morador, que chama atenção para o problema ocasionado pelo fim da subestação e do escritório de Itaipava da concessionária. “Quando a subestação e o escritório ficavam em Itaipava, problemas como de ontem eram rapidamente resolvidos. Hoje, no entanto, é necessário seguir até o Centro Histórico, quase 40 quilômetros e a demora no atendimento tem sido cada vez maior”, explica.
O morador relata ainda problemas na iluminação pública tanto no Madame Machado quanto no Vale do Cuiabá. “Tem trechos, especialmente em áreas rurais, onde já solicitamos a substituição de lâmpadas ou a instalação de luminárias e até hoje não obtivemos resposta. Há alguns meses um senhor morreu atropelado em um desses trechos sem iluminação pública”, informa.
Vinícius Ferreira
Redação Tribuna  

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Casas populares: Estado entrega terrenos à prefeitura

Foto: Divulgação


















Dois terrenos – na Mosela e em Benfica – destinados à construção de casas para atender as vítimas da tragédia de janeiro de 2011 serão entregues ao governo municipal, para que o prefeito Rubens Bomtempo possa construir as casas utilizando recursos do programa Minha Casa, Minha Vida. O anúncio foi feito ontem, na visita do vice-governador, Luiz Fernando Pezão, no Quitandinha, durante inauguração de um muro de contenção.
Questionado sobre a promessa de construção das casas pelo Governo do Estado, conforme anúncio feito nos meses seguintes à tragédia, o secretário de estado de Obras, Hudson Braga, explicou que a empresa vencedora da licitação não conseguiu cumprir as determinações da Caixa Econômica Federal (CEF) e acabou abandonando o projeto. “Por conta disto, e a pedido do prefeito, estamos entregando os terrenos para que ele construa as casas”. 
O prefeito Rubens Bomtempo confirmou que está recebendo os terrenos, que passam a fazer parte do programa de construção de casas populares. Ele lembrou que desapropriou dois terrenos, um no Carangola e outro no Caetitu, onde serão construídas mais de 1800 casas para atender famílias vítimas de tragédia na cidade. 
Com a entrega dos terrenos, o governo do estado vai se responsabilizar por repassar os recursos para obras de infraestrutura, conforme convênios que serão assinados. O vice-governador deixou claro que a administração da obra e a fiscalização cabem ao governo local, que, segundo ele, conhece a realidade e as necessidades, cabendo ao estado garantir os recursos necessários. 
“Quem tem que zelar pelas cidades são os prefeitos e as câmaras municipais. O governo do estado não pode assumir esta responsabilidade”, frisou Luiz Fernando Pezão, lembrando que após a tragédia de janeiro 2011 ficou 35 dias em Nova Friburgo, pois o prefeito na época estava doente, fora do país, e ao vice a Câmara não dava posse. “Quem saiu prejudicado foi a população de Friburgo”. 
Em Petrópolis a situação não foi diferente, pois na época o governo Paulo Mustrangi entregou a responsabilidade pela execução e fiscalização das obras no Vale do Cuiabá e região ao governo do estado, que passou a atuar através de várias secretarias e outros organismos, como o Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Como não havia respostas por parte da administração municipal passada e a população contestava as ações do Inea, os moradores procuraram ajuda na Câmara Municipal, onde foi feita a CPI da Chuva, e do bispo de Petrópolis na época, Dom Filippo Santoro, hoje arcebispo da Arquidiocese de Taranto. 
A CPI da Chuva, presidida pelo ex-vereador João Tobias, constatou que os governo do estado e municipal não fizeram nada para atender a população do Cuiabá e região e que a principalmente reivindicação, a construção das casas, não saía do papel. Como resultado desta CPI, foi criada a Comissão Especial sobre as obras no Cuiabá, presidida pelo vereador Silmar Fortes, e a Comissão Especial de Acompanhamento das Verbas, presidida pelo ex-vereador Wagner Silva. 
Na atual legislatura, as duas comissões passaram a ser apenas uma, presidida pelo vereador Silmar, que a partir da próxima semana inicia uma série de reuniões setoriais para cobrar a responsabilidade de cada ente público sobre as obras do Vale do Cuiabá. A conclusão do vereador é de que até agora, apesar das muitas reuniões, “percebemos que muito pouco foi feito e que as críticas à postura do Inea continuam”. 
Em resposta aos pedidos de ajuda, Dom Filippo Santoro realizou três audiências públicas em Petrópolis, onde cobrou do governo do estado e do município uma solução para o atendimento as vítimas do Cuiabá. Um dos resultados desta audiência foi a criação da Frente Pró-Petrópolis (FPP), coordenada por Philipe Guedon e que tem como objetivo discutir o planejamento da cidade e não deixar cair no esquecimento o que aconteceu no Vale do Cuiabá. 
Além das audiências públicas e da criação da FPP, Dom Filippo Santoro se reuniu com moradores, associação de moradores, com representantes do Centro de Defesa dos Direitos Humanos (CDDH) e do Estado e da Prefeitura na época. Um dos encontros foi com o vice-governador do Estado, Luiz Fernando Pezão, que naquele momento já reclamava da falta de empenho do governo municipal à época de assumir o controle da situação, fazendo a mesma afirmação que fez ontem na Câmara Municipal.  

Comércio de Corrêas pede limpeza urgente nos rios Piabanha e Bonfim

O leito do Piabanha está comprometido pelo assoreamento. Comerciantes temem repetição de inundações. / Foto: Alexandre Carius

Comerciantes de Corrêas estão preocupados com a proximidade do verão. Segundo eles, é a época em que o rio transborda, atingindo os estabelecimentos e causando prejuízos aos negócios. Além disso, eles afirmam que neste ano, depois das chuvas de março, não houve qualquer medida preventiva de limpeza e dragagem dos rios. A preocupação aumentou depois do temporal de terça-feira, que inundou as ruas Coronel Veiga, Washington Luiz e Imperador. 
Rafaelle Di Gregório, de 83 anos, é comerciante em Corrêas desde 1949. Ele tem uma loja de materiais de construção na Estrada União e Indústria,  nº 4.538. Rafaelle contou que já perdeu milhões de reais em mercadorias, em todos esses anos. “Estamos pedindo que seja tomada uma providência. O rio está assoreando, cheio de entulho, e não foi feita nenhuma limpeza em 2013. Corrêas sofre há anos com essa situação”, disse. Rafaelle já chegou a perder R$ 150 mil em produtos, em uma das vezes que a loja encheu. “O problema é que chove de repente, não dá para prever”, destacou ele, que já suspendeu alguns pontos da loja, a fim de diminuir a perda de mercadorias. “Mesmo aumentando o nível do piso e colocando as comportas, a água entra pelo ralo e inunda a loja, que tem mais de 4 mil metros quadrados. A água já chegou a uma altura de 1m60”, contou. Ele acrescentou que, geralmente, as inundações acontecem nos meses de dezembro e janeiro. “Nesse ano, estamos com medo, porque a chuva forte chegou mais cedo”, disse. 
O comerciante acredita que a presença de entulhos e moitas de bambu que cresceram às margens do rio são responsáveis por destruir a passagem. “Quando estamos no período de seca, não causam problemas devido ao baixo nível do rio, mas nesta época de chuva o nível do rio cresce consideravelmente e a grande quantidade de lixo fica agarrada nessas moitas, fazendo com que ele transborde”.
Ao lado da loja do Rafaelle, outros comerciantes sofrem com as cheias do rio. Idinaldo de Oliveira, de 50 anos, tem um depósito de bebidas e cereais no mesmo local. Ele relatou que todo ano perde produtos quando o rio transborda. “Como esse ano não fizeram limpeza, já sabemos que provavelmente vamos sofrer”, afirmou. Idinaldo disse que, em 15 anos que está com o depósito, pelo menos umas seis vezes teve que enfrentar as cheias. “Ficamos sempre tensos quando começa a chover, vigiando o rio e levantando as mercadorias”. Ele disse que está preocupado porque o verão ainda não começou e já começaram os problemas.
O posto de gasolina que fica na mesma rua também não escapa das cheias. Segundo o subgerente Adriano Vieira, de 35 anos, a água já chegou à altura da bomba de gasolina. “Tivemos que colocar um degrau para ela não ser atingida, porque é toda digital, se entrar água, estraga”, comentou ele, dizendo que todo ano as chuvas causam transtorno. “Quando inunda o posto, dá muito trabalho porque temos que desmontar as bombas e fazer manutenção, porque entra areia e lixo”, revelou. 
Aluizio Gomes Araújo é vendedor de uma farmácia onde a solução foi criar um ambiente com 0,73cm a mais. “Deixamos os remédios no alto para tentar amenizar o prejuízo, mas mesmo assim em março a chuva atingiu 0,89cm e chegamos a perder algumas caixas”, comentou. O vendedor ressaltou que, nessa época, ele opta por diminuir o número de produtos que ficam na parte de baixo da farmácia.